sábado, julho 30, 2011

Um obrigado

Para Ramos

Faz agora 4 meses em que virei as costas e fugi da força que me davas. Faz agora 4 meses que, finalmente, encontrei em mim a força, ou a covardia, de parar de ser um fardo para ti. Em retrospectiva, deveria ter vergonha das coisas sombrias com que te cobri, quando despejei a minha alma em ti, tantas e tantas vezes, ao longo destes anos. A injustiça do que te devo, nunca a poderei redimir nem pagar. Deveria ter vergonha, sim. Mas vergonha, não tenho. Pois quando eu deveria sentir vergonha, tu mostravas-me o orgulho. Quando te revelava as minhas fraquezas, tu ligavas-me às minhas forças. E, mais importante do que tudo, quando estava em caos, perdido em tormentas e tempestades de demónios interiores... Tu davas-me, sempre me deste, paz. E é esse presente que me doeu acima de tudo, recusar. Mas tive de o fazer, e eis agora os porquês.

Alguém como tu, alguém que, com tanto orgulho e simplicidade, me cativa quando diz "a terrinha", por pores um mundo inteiro nessas palavras, sem mais nada dizeres, deveria ser a pessoa mais feliz desta Terra. O teu coração, infinito e, ainda assim, pequeno demais para conter tanta compaixão quanto a que tens, deveria estar sempre limpo de preocupações. A ti, te admiro. A ti, te adoro. A ti, não mereço. Mas a ti, também, não mais quero pesar. Chegou a hora. Pois da culpa, da minha culpa, minha querida, nem tu me podes livrar. Esses passos são meus para dar. Passo 1: livrar-me da minha bengala. Tu.

Só me apetece lamentar-me, pedir-te desculpa, retratar-me e dizer-te como lamento o peso de que te incumbi todos estes anos, o meu peso que me ajudaste a carregar. Mas não o farei. Dizer que lamento seria uma falsidade e uma traição. Pois a mim me importa que saibas isto: de nada me arrependo. Nem da dívida, impagável, que contraí contigo para o resto da minha vida. Pois embora me tenha recusado a pesar-te mais a partir daquele momento, não serei ingrato a ponto de negar tudo aquilo por que me passaste. Ademais, a força que me deste Ontem, será o meu cajado Amanhã. Porque para o resto da minha vida, deste-me fé. Hoje, nesta missiva, acredito em ti. E não me vejo a deixar de acreditar em mim. Paz e fé, minha querida. Alimento para a alma. Presentes para a vida. E por isto, em vez de pedir desculpa, te agradeço do fundo do meu coração.

Não deixes que isto seja um adeus. Pretendo que isto seja um novo olá para mim. Não te quero ver mais como alguém que me provém com tanto do que preciso, para em seguida me sentir culpado por isso. Não é assim que te quero encarar. Quero poder lidar contigo sem culpa. Por favor, um último favor, compreende-me e aceita. Ou não o faças, desaparece da minha vida para sempre, se te aprouver. A minha dívida para contigo já está contraída, de qualquer maneira. E nunca a conseguirei pagar. E por isso, te agradeço, e me sinto mais feliz.















Obrigado

sábado, julho 23, 2011

A tua ou a minha. Nunca as duas.

Enche-me de promessas vãs, que eu direi que sim a todas. Ignoro a verdade que me zumbe na cabeça e revela as tuas mentiras... Porque acredito que nem tu própria saibas que mentes. E não serei eu a dizer-to, recuso-me! A tua verdade tens de ser tu a descobrir. A minha, já a sei. A minha verdade... É a tua mentira. E vivo-a, e sentir-lhe-ei a falta quando ela partir, pois tu irás partir com ela. Se calhar, não te mostro a tua verdade por egoísmo, e não por altruísmo. Se calhar, quero sempre só mais uma último vez... Só mais uma. E nunca, nunca me há-de chegar. Mas, até la... Até já.