sábado, janeiro 01, 2005

Primum vivere, deinde philosophari

Muitos há por aí que escolhem dedicar-se a floreados. Pé ante pé, perscutam a vida como quem sobe uma escadaria ás escuras. Estes são os precavidentes, os cautelosos, os que jogam sempre pelo seguro. A sua vida é vivida sempre com muita segurança; não há passo tomado, não há acção que não tenha sido meticulosamente pensada, pesada e medida. Todos os factores são tidos em conta, em tudo o que fazem. A influência sobre si, sobre os outros, sobre o mundo que os rodeia, tudo o que será desecadeado pelos seus actos será levado em conta, quando se trata de tomar uma decisão. Isto pode enganar os menos visionários, e transmitir uma aura de confiança e de uma certa profetização dos actos a quem rodeia estes viventes cautelosos.
Mas como em tudo, há um preço a pagar. Estas pequenas maravilhas do mundo, estes géniozinhos de trazer por casa, acabam por perder muito da vida em si... Pois se tomar a decisão correcta é importante, também o é tomá-la no momento certo. É devida mais importância ao timing do que a que lhe é atribuída. De nada servirá decidirmos comer, quando a comida está estragada. De nada servirá tentarmos salvar alguém que já esteja morto. O momento passou, e com ele, quaisquer hipóteses de actuar. Pois o que dizer então dos incautos? Dos que se atiram para a frente, que parece que nada lhes importa? Que o mundo foi feito para si e vão pisando calos, á medida que avançam sem parar nem olhar para trás, pois avançar é a única coisa que sabem fazer? Estes parecem levar uma vida descuidada, despreocupada e sem ralações. A perca de consciência como a liberação total do ser. Dificilmente é assim. Viver a vida ao máximo, qual James Dean reencarnado, pode fazer a chama vital arder com mais intensidade, mas a vela que arde duas vezes mais, também arde duas vezes mais depressa.... E o fim virá, rápido e como tudo o resto na vida, inconsciente de quem fica para trás.... Ao passo que o final dos mais cautelosos virá arrastando um calvário da tristeza e maus sentimentos deixados para trás...
Em suma, como viver? Rápida e despreocupadamente, ou lenta e pesarosamente? A resposta reside naquilo que eu espero que todos nós sejamos: um equilíbrio perfeito dos dois. Viver ao máximo, sim, mas termos em conta quem nos rodeia só vai aumentar a experiência... Para melhor.